Diários cruzados

Maria e Irene finalmente voltaram ao Brasil. Depois de passarem por experiências sobrenaturais assustadoras elas estão de volta. Cada uma em sua cidade resolve dar continuidade ao seu diário. O problema é que a maldição de New Orleans continua em torno delas.

Que Deus as proteja...

A trilogia do Diário de Maria termina aqui. O último capítulo da terceira parte da história Diários Cruzados está no final da página neste link. Os posts tiveram suas ordens de publicação invertidas para ordenar a sequência da história.

Esperamos que tenha gostado. Deixe sua opinião lá nos comentários!


Para quem ainda não conhece a história, sugerimos que leia o Diário de Maria ou ouça o podcast da história e sua continuação Investigando Maria. Entender as duas partes anteriores da história é muito importante para acompanhar tudo o que vai acontecer nesse novo diário.


São Paulo, 14 de setembro de 2013, 09:47

Ele é uma farsa! Ele quer que eu escreva nesse díario novamente para trazer de volta o demônio que arruinou minha vida. Ele diz que escrever vai me ajudar a por para fora tudo o que está guardado dentro de mim. Mas eu tenho medo que isso saia e cause mais tragédias.

Eles não sabem com o que estão lidando.

Publicado por: Maria A. C.


Rio de Janeiro, 15 de setembro de 2013, 14:12

Depois de tanto tempo longe dos diários, resolvi voltar a escrever. Por um bom motivo.

Voltei de New Orleans em agosto do ano passado. Eu acreditava que tudo havia acabado mas ontem recebi uma notícia que me faz crer que minha missão ainda não terminou.

Soube por fontes seguras que Maria está internada em São Paulo. Segundo o que meus amigos relataram, Maria passou por um ano bem complicado, com interrogatórios sobre a morte de todos os seus amigos e crises que a levaram ao hospital psiquiatrico por alguns dias. Mas dessa vez parece que o surto foi maior e ela já está internada há algumas semanas. Tenho o pressentimento que algo inacabado no ano passado vai recomeçar.

Publicado por: Irene B. S.


São Paulo, 23 de setembro de 2013, 11:32

Antes de escrever o que passo nesse inferno, gostaria que soubessem que esse hospital é uma farsa! Isso é uma seita infernal que quer descobrir os meus segredos! O Doutor Ruffus não sabe o risco que está correndo.

Mas já que ele quer ler, espere pelo pior.

Fui trancada em um quarto isolado, depois de diversas alucinações. Bobagem achar que isso os prenderia. Recebi visitas todos os dias. A mais violenta delas deu uma mordida na minha barriga. Os estúpidos ainda acham que eu tenho a capacidade de me contorcer e morder minha própria barriga.

Pois bem, elas continuam me ameaçando e disseram que se eu não devolver o que dizem que eu "roubei", muitas mortes acontecerão.

Prepare-se, Doutor Ruffus, pois cinco pessoas da sua equipe morrerão ainda nessa semana. Não será uma hoje e outra amanha. Todas morrerão no mesmo dia e horário se não me libertar.

Publicado por: Maria A. C.


Rio de Janeiro, 26 de setembro de 2013, 09:55

Olhem só a notícia que acabei de ler.

Acidente em clínica em São Paulo mata cinco enfermeiros

Um acidente de enormes proporções abalou a rotina de uma clínica médica em São Paulo. Segundo testemunhas, as vítimas, que não terão seus nomes divulgados, foram atingidas pela explosão de um aparelho de raio X da unidade logo após terminarem o exame de uma paciente. A paciente, Maria A. C. e o médico responsável pela equipe, Doutor Ruffus Portfield escaparam por pouco da explosão.

- Foi tudo muito rápido - Relatou o médico.

- Nossa prioridade agora é dar suporte as famílias das vítimas e contabilizar os prejuízos. O prédio deverá ser evacuado e vamos transferir parte dos pacientes. Os casos mais leves receberão alta e serão reavaliados dentro de alguns dias.

Segundo as autoridades a identificação dos corpos levará algumas semanas devido ao poder da explosão. O prédio será interditado e uma comissão especial foi criada para avaliar e investigar os responsáveis pela causa.

A jovem que escapou por pouco da morte critica a clínica por negligência. Segundo Maria A. C., o médico responsável, Doutor Ruffus, sabia do problema.

- Eu sabia que isso ia acontecer. Foi um acidente anunciado.

A jovem será ouvida pela polícia para prestar esclarecimentos.

De São Paulo, Cláudia Sardembulk para o jornal local.

Publicado por: Irene B. S.


São Paulo, 01 de outubro de 2013, 09:51

Hoje fui até a delegacia contar o que eu sabia. Claro que ninguém acreditou que ele me disse que todas aquelas pessoas morreriam. Eu vi cada detalhe. Cada caco de vidro que furava a face das pessoas, cada chapa de metal que decepava os membros de cada um. Foi muito triste.

Estou em casa agora. Do lado de fora estão dois policiais que disseram que foram designados para me proteger. Idiotas. Eles não fazem idéia de que eu preciso sair e pegar o que me pertence.

Publicado por: Maria A. C.


São Paulo, 04 de outubro de 2013, 23:11

Finalmente, consegui evitar mais algumas mortes. Bem, deixe-me explicar o que aconteceu.

Na noite de ontem consegui escapar de casa. Os policiais finalmente afrouxaram o cuidado da minha casa por algumas horas. Foi o suficiente para que eu pudesse voltar a clínica e pegar de volta aquilo que me pertence.

Entrei pela ala mais deserta, por uma porta quase desconhecida. O lugar estava deserto e todo escuro. Pelo menos eu sabia que não haveria ninguém por lá. Cheguei até a sala daquele infeliz e consegui fazer tudo aquilo que eu queria.

Agora estou de volta a minha casa. Em paz com o mundo. Pelo menos todos estarão a salvo, pelo menos por enquanto...

Publicado por: Maria A. C.


Rio de Janeiro, 07 de outubro de 2013, 11:38

Estou partindo para São Paulo. Preciso deter Maria. Ela vai começar uma nova série de assassinatos.

Ontem conversei com um amigo policial e ele me disse que a clínica onde Maria estava internada foi invadida. A sala do Dr. Ruffus foi revirada e algo como um ritual macabro aconteceu na sala. Ele me disse que havia o corpo de um cachorro pregado sobre a mesa do médico, com as patas abertas e a barriga com um corte na transversal, deixando a mostra as vísceras. Na parede havia marcas de sangue como se alguém tivesse arremessado o cão até a morte pelos quatro cantos da sala.

Mas o mais assustador estava escrito na parte debaixo da mesa do médico. Escrito com sangue, era possível ler a inscrição "Sua vida é sugada pela energia dos fracos e os fracos temem por sua vida. Não haverá piedade."

Já comprei minhas passagens. Dormirei na casa de uma amiga. Desejem-me sorte.

Publicado por: Irene B. S.


São Paulo, 12 de outubro de 2013, 22:51

Essa vinda para São Paulo foi providencial. Conversando com Marcela, minha amiga de muitos anos que me recebeu em sua casa, percebemos que existem algumas lacunas na investigação e na história de Maria. Uma delas é que Maria saiu dos Estados Unidos com aquele boneco de palha, que é o responsável por tudo que ela passou. Enquanto ela esteve na clínica, o boneco simplesmente desapareceu. Isso é o que mais me intriga, pois tudo começou por causa dele.

Nos reunimos ontem a noite para traçar um plano de ação. Meus amigos Marcela, Marcos e Kleber vão até a casa de Maria. Eu é Rômulo vamos até a clínica onde Maria estava internada para coletar maiores informações sobre sua situação.

Vamos recomeçar nossa investigação.

Publicado por: Irene B. S.


São Paulo, 18 de outubro de 2013, 22:51

Depois de uma semana coletando informações, descobrimos algumas coisas:

1 - Maria desapareceu. Não está em sua casa nem na clínica

2 - O boneco de palha desapareceu da clínica

3 - Encontramos uma documentação muito suspeita na clínica, que sugere planos de assassinato de Maria

Parece que agora ela é a caça.

Publicado por: Irene B. S.


São Paulo, 25 de outubro de 2013, 10:22

Preciso deixar público o que aconteceu. Temo que minha vida corre risco e pode ser que essa seja a minha única garantia de vida. Mais uma vez...

Na semama passada fugi de casa depois de algo estranho. Já passava da meia noite quando ouvi um som vindo da porta de entrada. Foi um estrondo tremendo e latidos ecoando por toda a casa. Percebi que estava sendo invadida.

Fiz o possível para me esconder mas eles me encontraram. Três policiais mascarados e sem identificação, cada um segurando dois cães enfurecidos pela coleira. A última coisa que me lembro são os cães vindo em minha direção antes de desmaiar.

Hoje pela manhã acordei com meu quarto banhado por sangue. Parecia que uma enorme bomba de tinta vermelha espalhou aquilo por todas as paredes. Sobre a cama, encontrei os corpos dos seis cães da polícia com seu crânio totalmente aberto, como se seus cérebros tivessem explodido. Sim, eles explodiram. Há pedaços de cérebro de animais por todo o quarto.

Curiosamente não respingou uma gota de sangue em mim. Estou totalmente limpa. Não sei o que aconteceu com os policiais, mas sei que preciso sair daqui. Vou pegar minhas coisas e partir para a rodoviária. Sei que eles estão atrás de mim por algum motivo.

Mas já tenho minhas suspeitas...

Publicado por: Maria A. C.


São Paulo, 28 de outubro de 2013, 06:10

Acabei de ler uma notícia em um site que fala do desaparecimento de três policiais. Segundo o site, eles foram designados para uma investigação na casa de Maria e não retornaram após a missão. As viaturas continuam estacionadas na frente da casa e os cães levados para a ação foram mortos com brutalidade.

Preciso fazer algo. As coisas só vão piorar a partir de agora.

Publicado por: Irene B. S.


Desconhecido, 02 de novembro de 2013, 21:15

Por enquanto não posso dizer onde estou. Temo pela minha segurança, mas preciso relatar o que anda acontecendo.

Saí da minha casa e estou hospedada em um hotel, distante da minha residência. O problema é que as visões ainda me perseguem. Agora a pouco tive a visão de um homem com o rosto inchado, roxo e com uma corda no pescoço caminhando pelo meu quarto. Não tenho para onde ir. Vou ficar por aqui até amanhã.

Publicado por: Maria A. C.


Desconhecido, 06 de novembro de 2013, 12:44

Agora posso falar com um pouco mais de calma. Tive que sair daquele bairro urgente.

No domingo passado eu havia entrado em um hotel no bairro da Liberdade, em São Paulo. Pensei que estava segura, mas as coisas não foram bem assim.

Um funcionário do hotel havia me dito que as luzes estavam com problemas, e que durante alguns períodos do dia poderia ficar sem luz. Até ai, tudo bem. O problema é que toda vez que a luz acabava, aquele corpo rondava meu quarto. Ele andava por todos os lados e pedia ajuda. Quando ele chegou perto de mim, a única coisa que ele me disse foi "chagas" e desapareceu.

Quando ele desapareceu, uma horda de fantasmas enforcados entraram pelo meu quarto. Todos vinham em minha direção. Não tive opção e saí corendo. Não posso mais voltar a aquele hotel.

Vou passar mais uns dias escondida. Quem sabe aqui consigo não atrair essas coisas.

Publicado por: Maria A. C.


São Paulo, 18 de novembro de 2013, 06:10

Maria está desaparecida. A polícia já foi acionada e está em busca dela. O problema é que a polícia pode não ser capaz de dete-la, já que as pessoas que entram em seu caminho tem um fim terrível.

Continuarei a busca por ela.

Publicado por: Irene B. S.


São Paulo, 09 de dezembro de 2013, 22:35

Ontem recebi uma informação que pode me dar pistas de Maria. Está circulando uma história no bairro da Liberdade, aqui em São Paulo que hospedes de um hotel tem sido atacados por fantasmas de pessoas enforcadas. Segundo o gerente do hotel, isso começou a acontecer há uns de dias atrás, quando uma moça que se identificou como Renata se hospedou no hotel. A moça simplesmente desapareceu do quarto em menos de 24 horas e depois disso todas as noites pelo menos três hóspedes relatam ter sido atacados por fantasmas.

A história começa a ficar interessante. Vou me hospedar aqui por alguns dias e tentar obter mais informações.

Publicado por: Irene B. S.


São Paulo, 16 de dezembro de 2013, 00:15

Tenho uma história para contar da minha passagem pelo hotel onde Maria estava hospedada.

Entrei no hotel na segunda-feira passada. Meu objetivo era ficar por aqui e tentar descobrir onde Maria foi parar e o que está acontecendo no hotel. Vim com minhas duas amigas Carla e Marcela que estão me ajudando nessa investigação. Elas sabem do risco que estamos correndo e querem mesmo assim continuar essa busca.

Nas primeiras noites, nada de estranho aconteceu. Passamos a semana entrevistando funcionários do hotel sobre os casos estranhos. Nas noites seguintes também tivemos poucas novidades, apenas um espelho que estourou na quarta-feira. Mas na noite de sexta-feira as coisas começaram a ficar complicadas...

Já passava das dez horas da noite quando ouvimos um choro. Parecia um choro de criança no corredor do hotel. Esperamos alguns minutos e o choro continuava. A criança choramingava dizendo "Me ajude". Chegamos perto da porta. Antes de colocar a mão na maçaneta, uma forte pancada na porta quebra o silêncio do quarto. Do lado de fora, gritos da criança e unhas raspando a porta faziam um barulho assustador. Tentamos abiri a porta mas não conseguiamos. A porta estava destrancada, mas alguém do lado de fora impedia sua abertura. Quando conseguimos abrir vimos uma cena assustadora no corredor.

Todas as pessoas que morreram pelas mãos de Maria estavam lá, de pé olhando para nós. Sara com seu rosto cheio de arranhões e sem as duas orelhas, Livia com seu pescoço perfurado e deformado, A atendente do Commander's Palace Restaurant com seu pescoço quebrado, Sr. Louis com seu peito queimado, Joshua sem seus lábios e metade de sua face, Carl sem os dois braços e Sam com as veias dos braços e pernas expostas e seu peitoral aberto, sem coração . De todos os que passaram pela maldição de Maria somente Renata e Maria não estavam naquele corredor.

Ficamos imóveis por alguns minutos olhando aquela cena grotesca. De repente, meu amigo Joshua tomou a frente do grupo desfigurado. Ele não conseguia falar. Apenas gemia com o pouco de movimento que tinha dos ossos do maxilar, que seguravam seu queixo na face. Ele repetia as mesmas palavras, que parecia algo como:

- Encontre Robert. Encontre Robert.

Comecei a chorar de de desespero. Quando coloquei a mão no ombro do meu amigo tudo ficou escuro e acordei somente hoje. Minhas amigas disseram que eu estava delirando. Me levaram a um hospital do bairro mas os médicos disseram que era apenas estresse e que eu precisava descansar.

Bom, vou descansar mais alguns dias aqui. Quero ver se tenho mais informações de como encontrar Maria. Ou talvez sair em busca do Robert novamente. Ele me ajudou uma vez. Preciso contar com ele novamente.

Publicado por: Irene B. S.


Araçoiaba da Serra, 25 de dezembro de 2013, 01:36

Finamente encontrei paz em um lugar distante de todos os problemas. Rodei o estado inteiro até ser acolhida por este senhor tão simpático que é o Sr. Giovanni. Ele ainda tem um forte sotaque italiano e disse que mora na cidade há muitos anos. Depois que me hospedei em sua casa, nada de estranho tem acontecido. Acho que agora consigo passar a virada de ano em paz.

Publicado por: Maria A. C.


São Paulo, 10 de janeiro de 2014, 10:20

Depois daquela aparição dos fantasmas, nada de estranho aconteceu. Até ontem a noite.

Estavamos juntando todos os pontos da história: O que aconteceu com Maria, porque os fantasmas estão atrmentados e porque apenas Renata não apareceu para nós? Isso nos deixou confusas e com medo, pois Renata foi uma das pessoas que mais me ajudou quando tive meu confronto com aqueles demônios. Tinhamos todas as anotações feitas, até que alguém bateu em nossa porta.

Abrimos a porta vagarosamente mas não havia ninguém. Esperamos alguns segundos e quando retornamos ao quarto, havia uma marca na parede, escrita com sangue.

"Encontre Roberth Johnson"

Aquele sangue começou a escorrer e formou uma figura. Era a imagem de um sol e uma lua. Lembrei que isso tinha uma relação com o tabuleiro de OUIJA, e Carla sugeriu que fizessemos o jogo do copo, pois aquilo poderia ser m sinal. Pegamos um copo do hotel, escrevemos papéis com todas as letras do alfabeto e sentamos todas no chão. Depois de uma breve oração, começamos a perguntar:

- Tem alguém aqui?

O copo se moveu para o Sim.

- Quem é você?

"Não posso dizer agora", respondeu.

- O que você quer?

O copo formou a frase "quero ajudar vocês".

- Mas como? - Perguntei:

"Levando vocês a Roberth Johnson", disse o espírito.

- Porque?

"Porque só assim salvarão sua alma do sofrimento eterno"

Marcela começou a chorar. Ela sabia que isso que estavamos fazendo não era certo.

- Mas como encontro Roberth Johnson?

"Volte até seu túmulo"

- Como posso saber que você está me ajudando? Perguntei

"Já te ajudei uma vez em New Orleans"

Depois dessa resposta, o copo explodiu e as letras começaram a pegar fogo. Não falei nada com as meninas, mas tenho certeza que foi o espírito da Renata que apareceu e nos deu essas informações. Na semana que vem comprarei minha passagem para New Orleans e vou tentar encontrar Roberth Johnson.

Publicado por: Irene B. S.


Araçoiaba da Serra, 16 de janeiro de 2014, 02:15

Apesar de estar protegida aqui com o senhor Giovanni, sinto que ele tem alguns segredos que não quer me contar. O fato de ele não ter amigos, parentes ou qualquer contato com pessoas me estranha. Caminhei pela cidade ontem com ele e ninguém o cumprimenta e ele não faz questão nenhuma de ser gentil com qualquer pessoa. Ele simplesmente ignora as pessoas. O que mais me estranha são suas saídas de madrugada. Ele não quer que eu o acompanhe. Estou planejando segui-lo num dia desses.

Publicado por: Maria A. C.


New Orleans, 25 de janeiro de 2014, 20:44

Cheguei ontem a New Orleans. Minha chegada foi extremamente turbulenta.

Embarquei em Guarulhos tranquilamente. Ao localizar minha poltrona havia um senhor de aproximadamente setenta anos ao meu lado. Começamos a conversar sobre amenidades e sobre o motivo que levava cada um aos Estados Unidos. Claro que não disse que ia visitar o túmulo de Robert Johnson e inventei uma história. Ele, por sua vez disse que ia visitar uma irmã em Washington.

Tudo ia bem até que no meio da madrugada o homem salta de sua poltrona e avança sobre mim. Ele agarrou meu pescoço e tentava me morder. Foi tudo muito rápido mas ele conseguiu arrancar um pouco de sangue do meu pescoço. As comissárias o seguraram e ele simplesmente caiu duro no chão, com a boca cheia de sangue. Não foi possível reanimá-lo e seu corpo foi recolhido quando pousamos em Dalas.


Perdi meu vôo para New Orleans, pois fui obrigada a conversar com a polícia local. Fui hospedada em um hotel e no dia seguinte parti e somente hoje cheguei aqui.

Vou descansar um pouco. Em breve conto mais novidades.

Publicado por: Irene B. S.


Araçoiaba da Serra, 01 de fevereiro de 2014, 23:35

O senhor Giovanni está se preparando para sair. Hoje irei atrás dele. Amanhã conto os detalhes.

Publicado por: Maria A. C.


Araçoiaba da Serra, 04 de fevereiro de 2014, 23:35

Desculpem a demora. Não pude escreever antes. Ele está desconfiando de algo, especialmente agora que descobri sua história.

Quando o senhor Giovanni saiu naquela última noite, eu resolvi segui-lo. Ele foi parar em uma fazenda distante da sua casa. Nessa fazenda existia um grande galpão abandonado. Fiquei escondida olhando de longe o que ele ia fazer. A luz da lua iluminava o local, que tinha imensos vãos abertos. Ele se posicionou bem no centro do local e ficou parado por alguns segundos. De repente, ele abriu os braços. Nesse momento as coisas começaram a me assustar.

Dezenas, ou até centenas de espíritos chegaram até ele. Era quase impossível identificar cada um deles, mas os detalhes de cicatrizes e correntes aos braços me lembravam as histórias de escravos. Todos se reuniram em volta do senhor Giovanni em um silêncio terrível. De repente, como em uma explosão, todos sairam. Fui jogada para trás e pude ver os espíritos correndo por toda a cidade. Voltei correndo até a fazenda. Não queria que ele me visse.

Quando voltei para a fazenda, encontreo o senhor Giovanni sentado em sua cadeira. Eu disse apenas "boa noite", como se não soubesse de nada. Ele apenas respondeu.

- Preciso de você. Vá dormir. Em breve você entenderá tudo

Ignorei seu comentário e fui para o meu quarto. Estou aguardando essa conversa, mas sinto que chegou a hora de ir embora daqui.

Publicado por: Maria A. C.


New Orleans, 15 de fevereiro de 2014, 12:33

Prezado Senhor

Informamos que a turista brasileira Irene A.C. encontra-se em nossas instalações. Necessitamos falar urgente com um responsável.

Atenciosamente
New Orleans Mental Health Clinic


Araçoiaba da Serra, 24 de fevereiro de 2014, 09:11

Ontem tive uma conversa com o senhor Giovanni. Não sei o que fazer. Ele é um homem louco. Vou embora amanhã.

Nossa conversa foi curta, porém assustadora. Sentei-me na sala com o senhor Giovanni. Ele estava vestindo uma túnica branca muito clara e brilhante. Ele começou tentando me acalmar:

- Não tenha medo. Estamos na mesma situação.

Mantive-me em silêncio e ele continuou a falar.

- Meu nome é Giovanni d'Augustini. Vim da Itália para o Brasil há muito tempo. Antes de morar aqui, eu vivia em uma gruta aqui nessa cidade. Vivi na gruta do Morro da Ipanema até o ano de 65. Depois dessa época, me tornei um ser errante que anda por toda a cidade. Quase todos os dias eu caminho pela cidade em busca da alma que vai me completar.

- Tudo isso que ví nesses dias, o senhor faz há cinquenta anos? Perguntei.

- Cento e cinquenta, mocinha. Eu saí do morro no ano de 1865. Eu morri há mais de cem anos.

Minhas pernas começaram a tremer. Não acreditei na história. Mas suas últimas palavras me deixaram mais preocupadas.

- Percebo que ainda não está pronta para ouvir tudo. Mas quero que saiba de duas coisas:

Nesse momento minhas mãos suavam e eu tremia mais ainda

- Primeiro: Você também está morta. Percebeu que ninguém olhou o sequer conversou com você por todo esse tempo? Passamos por centenas de pessoas e ninguém sequer olhou para sua face.

- Mentira! Gritei

- Segundo: Você é muito poderosa. O que fez em New Orleans ao libertar Julie é um poder que poucas almas tem. E eu preciso da sua ajuda.

- Nunca! Eu vou embora!

- Pode ir. Mas se for embora agora perderá a chance de voltar a viver. Fique comigo. Precisamos um do outro

Comecei a chorar. O senhor Giovanni me abraçou e disse que eu fosse para o quarto e que amanhã conversariamos novamente.

Não sei o que pensar. Vou embora amanhã. Essa história é mentira. Não estou morta!

Publicado por: Maria A. C.


New Orleans, 05 de junho de 2014, 15:44

Pensaram que eu havia sumido, seus demônios? Não sabem o que eu passei nem onde estou. Estou longe... e não estou sozinha. Mas agora tenho muito tempo, e tempo para contar tudo o que aconteceu nesses últimos meses.

Minha desgraça começou naquele maldito hospital. Tudo ia bem até aquelas coisas aparecerem e me deixarem perturbada. Sim, perturbada. Não sabia para onde fugir. Dois médicos tentaram me agarrar. Um deles apertou meu braço e quando olhei em seus olhos sua mão simplesmente explodiu. Sim, aquela mão que me agarrou se despedaçou em milhares de pedaços. O segundo médico também tentou me deter, me segurando pela cintura. Seus braços começaram a derreter imediatamente. Sua pele escorria pelos ossos de seus braços e seus músculos se transformaram em uma gosma vermelha e fedorenta.

Aquilo havia me chocado, e por isso fugi para o interior. Lá conheci o tal do senhor Giovanni. No começo achei que era louco, mas percebi que ele era igual a mim. Uma alma presa a um corpo nesse inferno terreno. Resolvi desaparecer daquele lugar. Aquela alma me ensinou muito e finalmente descobri o que aconteceu comigo. Eu ainda estou morta.

Sou um cadáver com a aparência de uma pessoa viva. Toda a minha energia vem das mortes que passaram por minhas mãos e ela cresce a cada morte que coloco em minhas costas. Todos aqueles que matei estão dentro de mim, alimentando minha alma. Ouço seus gritos de desespero, mas não posso fazer nada. Eles estão presos a mim. Mas ainda falta alguém. Um ritual muito poderoso precisa ser feito com o sangue de quem me libertou. E é por isso que estou aqui.

Vocês devem estar se perguntando o que faço aqui nessa cidade. Bem, vou contar a vocês.

Aquela vadia veio para cá tentar acabar comigo. Ela estava em busca do túmulo de Robert Johnson. Ela sabia o que fazer e quem procurar. Ela passou muito tempo por aqui sozinha, até que um dia, em meados de abril, recebi uma visita. Uma mulher branca, muito branca, nua e brilhante pairava em minha frente. Ela parecia calma, mas sua vóz transmitia preocupação. Depois que parte da luz se dissipou pude reconhecer sua face. Era Julie:

- Preciso de você, Maria. O mundo dos mortos está em risco. Você precisa deter Irene.

- Mas onde ela está? Perguntei.

- Em New Orleans. Ela está em busca de Robert Johnson. Ela quer acabar com você, comigo e com todos os mortos.

- Mentira!

- É verdade, Maria. E você deve detê-la. Siga minhas orientações. Eu a levarei até New Orleans.

As orientações de Julie foram simples, porém macabras. Eu deveria encontrar uma moça com a fisionomia de Irene. Eu a encontrei numa noite de sábado em São Paulo. Saimos juntas de uma boate, com a promessa à jovem que teriamos uma aventura na noite. E eu tive.

Levei-a a um beco e avancei sobre sua barriga. Ela usava uma roupa curta, com um piercing no umbigo. Arranquei a peça de metal e engoli. Ela não teve tempo de gritar. Mordi sua barriga vorazmente até conseguir acomodar meus olhos entre seus pulmões. Ela respirou pesadamente por alguns minutos. Eu sentia seu coração pulsando sobre minha cabeça, já que eu estava dentro da barriga da mulher até o pescoço. Senti a mão de Julie pressionando minha cabeça contra seus órgãos. Quando seus pulmões pararam seu coração levou aproximadamente dois minutos para deixar de funcionar. Quando tudo ficou imóvel, eu desmaiei.

Acordei no telhado de uma casa. Não sabia onde estava. Tudo estava escuro. Depois de alguns minutos identifiquei aquele lugar. Era a casa de Julie, em New Orleans. Sim, voltei onde a história começou. Agora, eu precisava encontrar Irene.

Levei muito tempo até encontrar aquela desgraçada. Passei muito tempo até que finalmente o destino nos colocou frente a frente.

Refiz todo o caminho que me levou a ser isso que eu sou. Fui ao aeroporto, ao museu do Vudú, aos cemitérios. Até que finalmente resolvi ir ao bar onde parecia que tudo havia começado. Entrei no Pat O'Brien's Bar e caminhei por lá. Dois rapazes chegaram perto de mim. Um deles tocou meu braço e ficou assustado com minha pele fria e fugiu. O segundo conversou comigo por alguns segundos e quis me levar ao banheiro do bar.

Entramos no banheiro e começamos a nos beijar. O rapaz estava drogado e tentava me tocar. Até que ele tentou colocar a mão por baixo da minha blusa. Peguei seu braço, entortei e o arranquei por completo, até o ombro. Terminei o serviço arrancando suas pálpebras com minhas unhas. Uma delas comi na sua frente e a outra fiz o desgraçado comer. Ele ainda iria presenciar muita coisa, já que não podia mais fechar os olhos. Eu ia continuar a destroçar aquele infeliz, até que ela chegou.

Ela foi a única que ouviu os barulhos vindos do banheiro. A música alta impedia que as outras pessoas escutassem algo. Quando ela entrou, nossos olhares se cruzaram. Nós duas haviamos encontrado o que procuravamos. Ela tentou conversar, mas fui obrigada a avançar sobre ela. Dei-lhe um soco no queixo e ela desmaiou. Não podia matá-la naquela hora. Eu precisava dela. Coloquei a maldita no colo e acarreguei para fora do bar.

Agora estamos nós aqui, dentro do cemitério Lafayette novamente. Estou com seu computador enviando esta mensagem. Ela tem muitas mensagens aqui que não foram enviadas. Em breve eu as mando a vocês. Quando ela acordar, teremos muito o que fazer. Não posso adiantar muita coisa, mas posso apenas dizer que será doloroso e deixará muitas marcas.

Sentiram minha falta, queridos?

Publicado por: Maria A. C.


New Orleans, 20 de julho de 2014, 22:51

Finalmente consegui fugir daquela criatura. Descobri muita coisa daquele monstro e agora ela precisa de mim. Sei que ela não pode me matar. Ela precisa de um novo corpo para continuar ativa. Seu corpo está em decomposição e por isso ela me quer. Ela quer meu corpo como um amontoado de carne para levar seu espirito desgraçado, até que meu corpo não seja mais útil e ela procure uma nova vítima. Mas, porque eu?

De qualquer forma, deixe-me explicar tudo. Aquele monstro está com meu computador e tem mensagens ali que podem acabar com ela. Ela não vai deixar que aquelas mensagens se tornem públicas. Por isso mesmo fui parar naquele hospital...

Cheguei em New Orleans e fui direto a casa onde Maria ficou hospedada com suas amigas. A casa estava vazia mas o cheiro de sangue e carne poder continuava muito forte pela casa. Caminhei por todos os aposentos até que cheguei perto de uma escada. Meus olhos pareciam me enganar mas havia uma criança parada lá dentro. Não era uma criança normal. Devia ter seus nove anos de idade mas uma aparência sombria, com a pele do rosto rachada e os olhos negros. Suas mãos tremiam e escorria sangua de seus dedos. Ela virou um pouco a cabeça, saiu correndo e entrou em um quarto. Fui atrás dela, mas a porta estava trancada. Quando consegui abrir, ela não estava mais lá mas a parede estava marcada com uma frase que eu não conseguia entender. Virei meu computador e tirei uma foto, pois meu celular estava sem bateria.

Desci as escadas e para minha surpresa, a garota estava lá, parada. Ela levantou sua camiseta, deixando a mostra sua barriga. Com as unhas afiadas, ela escrevia em sua própria carne "Julie". Perguntei se ela queria que eu fosse procurar Julie, mas ela não disse nada e simplesmente saiu correndo. Bem, parece que o recado era esse.

Sentei na calçada do lado de fora da casa e comecei a analisar a foto. Utilizei alguns softwares para descobrir o que estava escrito e comecei a elaborar um documento. Infelizmente a bateria do computador estava acabando e eu precisava voltar ao meu hotel, no French Quarter. Peguei um taxi e fui direto para lá.

Quando cheguei French Quarter fui surpreendida por uma pancada forte em minha cabeça quando saia do taxi. Foi tudo muito rápido. Passei dias desacordada e ao abrir os olhos estava em um hospital, amarrada a uma cama sem a possibilidade de me mover. Minha cabeça doia e eu não sabia onde estava. Estava sem minha mala e meu computador. Eu usava apenas um avental de hospital.

Lá pelo terceiro ou quarto dia um incêndio tomou conta do hospital. Os enfermeiros me desamarraram, mas eu estava fraca para fugir. Me colocaram em uma maca e eles tentavam me levar para fora. De repente, algo nos derrubou. Eu não conseguia ver muita coisa, mas percebi que um dos enfermeiros caiu em uma sala incendiada e se debatia para apagar o fogo que tomava conta de seu corpo. O outro estava no chão mas eu só conseguia ver suas pernas se debatendo. Quando suas pernas pararam de se mexer ví pés descalços caminhando em minha direção. Quando olhei para cima eu a ví. Era Maria. Apenas me lembro de ouvi-la dizer:

- Finalmente!

Levei outra pancada na cabeça e fiquei desacordada por mais alguns dias. Quando acordei estava amarrada dentro do Cemitério Lafayette. Ela me contou toda a história. Sobre o ritual e sobre o que ela precisava fazer para usar meu corpo. Ela ainda precisava de mais alguns dias para a chegada da noite perfeita, mas ela também precisava de algo que ela não me disse o que era. Tentei desesperadamente sair, até que alguém apareceu.

Senti que alguém cortava as cordas. Ouví apenas um sussurro vindo de trás de uma lápide:

- Não faça barulho e venha comigo.

Segui aquela figura de cabelos loiros longos pelas ruas próximas ao cemitério. Não sei por quantas horas caminhamos mas eu ainda não tinha visto seu rosto. Quando ela chegou em uma casa, ela virou para mim e disse:

- Chegamos

Era Renata! Não sei como nem porque ela está aqui mas não tive tempo de perguntar. Quando esbocei fazer a primeira pergunta fiquei chocada com o que ví.

Todas as vítimas de Maria estavam naquela casa. Renata, Sara, Livia, A atendente do Commander's Palace Restaurant, Sr. Louis, Joshua, Carl e Sam. Todos com as marcas dos encontros com aquele monstro. Eles pareciam zumbis! Mas entendi que queriam me ajudar. Joshua tomou a frente, com seu maxilar flácido e escorrendo saliva e sangue:

- Chegou a hora.

- Hora do que? Perguntei

- De acabar com Maria. Temos quase tudo o que precisamos, mas ainda precisamos de tempo. Ainda temos alguns dias até que o momento certo chegue. Vá descansar. Depois explicaremos tudo.

- Eu encontrei algo na casa. Está no meu computador!

- Eu sei - Disse Joshua. Vamos recuperá-lo. Esta casa tem um computador. Pode usar este.

E daqui estou escrevendo essa situação fantástica. Não sei o que esperar dos próximos dias, mas sei que algo grande está para acontecer. Deixarei todos informados.

Abs
Irene

Publicado por: Irene B. S.


New Orleans, 22 de julho de 2014, 15:59

Depois de uma longa noite de sono, meus anfitriões me explicaram toda a situação. É algo tão surreal que fica difícil acreditar, mas na situação que estou não posso me dar ao luxo de não acreditar em quem quer me ajudar

Maria está forte por ter matado todas essas pessoas. Sim, todos eles estão mortos mas estão condenados a vagar pela eternidade até que o apodrecimento da sua carne termine e eles não consigam mais se movimentar. Sua carne só vai ser preservada se eles continuarem a matança, mas nenhum deles quer. Eles acreditam que a vida não termina aqui e que algo maior os espera depois da morte.

Segundo Livia, que falava com muita dificuldade pois seu pescoço estava perfurado, a resposta deve estar na casa de Julie, já que aquela criança havia me dado essa informação. Ainda segundo lívia, aquela criança era Maria quando mais jovem.

O que me intriga nessa história é que vim para New Orleans procurar por Robert Johnson, aconselhado por todos eles na visita que fizeram ao meu hotel em São Paulo. Joshua me explicou que Robert Johnson é o único espírito poderoso o bastante para tirar as almas do corpo de Maria.

- E Julie? Perguntei.

Joshua respondeu que Julie foi enclausurada no inferno por Robert Johnson, que também está preso lá. O que a pequena Maria escreveu na casa devia ser um símbolo para traze-lo de volta.

- Mas trazê-lo de volta não trará Julie de volta também? Perguntei

- É um risco que temos que corer. Concluiu Joshua.

Sendo assim, o plano será retornar para a casa e ler o símbolo na parede. E torncer que tudo dê certo. Mas não podemos fazer isso hoje. Eles disseram que precisam me proteger de Maria. Não sei até quando eles me esconderão aqui.

Publicado por: Irene B.S.


New Orleans, 22 de julho de 2014, 00:12

Maldita!

Publicado por: Maria A. C.


New Orleans, 27 de julho de 2014, 19:22

Espero que esteja lendo isto, Irene.

Sei onde você está. Creio que imagine porque ainda não arranquei seus olhos e comi seu coração, pois é isso que eu adoraria fazer, mas não posso. Existe uma maldição que nos conecta.

Sua vida também corre perigo. Aquele boneco de palha precisa voltar para a casa ou todas nós morreremos, inclusive seus amigos. Sei que o boneco não está com você, mas preciso que me encontre na casa onde tudo começou. Estarei lá na próxima sexta-feira, as onze horas da noite. Espero por você.

Venha sozinha. Não quero ter que comer mais carne de seus amigos cadáveres.

Publicado por: Maria A. C.


New Orleans, 29 de julho de 2014, 12:48

Depois de uma longa coversa com os habitantes desta casa decidi ir ao encontro de Maria nesta sexta-feira. Já planejei algumas coisas e se tudo der certo, essa história termina ainda neste mês.

Espero poder publicar mais alguma coisa antes do dia 31. Se tudo der certo, no sábado voces erão novidades.

Desejem-me sorte.

Publicado por: Irene B. S.








New Orleans, 02 de agosto de 2014, 03:12

Simplesmente pelo fato de estar escrevendo esse texto significa que deu tudo certo. Nunca mais serei perseguida e agora acredito que a maldição terminou.

Vou contar desde o início. Essa história merece detalhes.

Fui ao encontro daquela coisa na hora marcada. Quando passei por aquela porta tão familiar, muitas lembranças vieram a minha mente. Da última vez que estive em New Orleans muitas coisas ruins aconteceram e onde tudo começou deveria acabar. O lugar parecia o mesmo. Cheio de poeira, ratos e marcas de sangue espalhadas por praticamente todos os aposentos. Caminhei por alguns minutos, sozinha e atenta para o que poderia acontecer. Finalmente, ela apareceu. No mesmo quarto que nos encontramos da última vez.

- Esperei muito por você. Não sabe o quanto aguardei este momento.

- Eu digo o mesmo. Respondi.

Nos olhamos de perto. Parecia que eu me reconhecia nos olhos daquela maldita. Sua face mostrava as cicatrizes dos nossos encontros e eu podia sentir o ódio que vinha dentro dela. Mas eu precisava colocar fim nisso. Infelizmnte antes de planejar algo senti diversas mãos geladas tocando meu corpo. Elas apertavam meus braços e pernas, tentando me colocar no chão. Aquelas coisas queriam me prender. Eu não consegui contar quantos eram, mas com certeza eram mais de quatro pessoas.

Quando fui imobilizada, ouvi um canto bem maixinho se aproximando...

- I went down to the crossroads, felt down on my knees...

Era ele. Robert Johnson apareceu naquele quarto. Senti que os braços me soltavam, mas eu não podia me mexer. Aquela maldita apenas me olhava. Eu não conseguia entender porquê ele estava do lado dela. Ele já havia me ajudado uma vez. Como ele podia fazer isso comigo?

- Porquê está do lado dela? Perguntei.

- Estou cumprindo minha missão. E você faz parte dela. Ataquem!

Nesse momento aquele bando de seres de mãos frias tentavam me morder. Alguns deles quase não tinham mais dentes e por isso pouco me machuquei. Guardei forças para para tentar me livrar daquelas coisas, até que Robert tirou algo de seu casaco.

- Procura por isso?

Ele mostrou aquele boneco de palha que foi encontrado nessa casa há mais de dois anos atrás. Coloquei toda a minha esperança em pegar aquilo da mão dele. Poderia ser minha última chance. Chutei suas pernas e ele perdeu o equilíbrio. Enquanto Roberth caia, o boneco de palha vinha em minha direção. Quando ele tocou meu ventre, uma luz muito forte ofuscou minha visão. Essa luz permanecia forte e parecia ter destruido todos em sua volta. Menos nós três.

Peguei aquele boneco e fui na direção dela. Nos agarramos e caimos, lutando desesperadamente. Eu não podia soltar o boneco enquanto ela com suas unhas grandes arrancava pedaços da minha carne. Ela avançava com o intuito de morder meu pescoço, na esperança de acabar comigo com uma mordida certeira. Suas mordidas conseguiram arrancar partes da minha pele, mas não foram o suficiente para acabar comigo. Eu precisava dela. Não podia deixar tudo acabar daquela forma.

- Você não entende! Se eu morrer nós duas morremos!

- Se é para acabar com essa maldição, prefiro que seja assim. Respondeu.

Enquanto ela gritava, Robert Johnson levantava e vinha em nossa direção. Ele me agarrou, me imobilizou e disse:

- Acabe logo com ela!

Fiquei chocada com o tamanho do punhal que ela tinha em suas mãos. Era um objeto cortante enorme, que refletia a luz daquele quarto. Ela veio em minha direção com uma voracidade sedenta de sangue. Sim, ela queria minha vida, minha alma. Minha única reação foi desviar antes daquele punhal me tocar. A pobre alma acertou Robert Johnson, que gritou e simplesmente coneçou a definhar. Sua pele derretia pelo chão daquele aposento. Suas roupas pegavam fogo enquanto o brilho dos seus ossos começou a aparecer. O cheiro de carne podre queimada tomava conta daquele pequeno quarto. Senti que algo ruim estava acontecendo. Foi quando pude ouvir seu último grito de desespero.

- Acabe logo com ela!

Fui tomada por uma forma bestial. Aquele boneco em minhas mãos me deu a energia de um mostro. Por mais que ela viesse em minha direção com aquele punhal incandecente, eu sabia que ela não poderia mais acabar comigo. Lembro-me de sentir a sede de sangue em minha boca. Avancei sobre seu braço e mordi o punho que segurava o punhal. Ela soltou aquele instrumento, e começou a impolorar por sua vida.

- Não faça isso! Precisamos nos unir!

- Então vamos nos unir no inferno! Gritei.

Espanquei aquela criatura com todas as minhas forças. Quando ela caiu eu simplesmente avancei sobre seu ventre. Mordi sua barriga com tanto ódio que extraí parte de seu intestino. Ela gritava e se contorcia. Agora eu não podia mais voltar atrás. Enquanto ela se debatia, agarrei o boneco de palha com as duas mãos, tomei forças e enfiei minhas garras em seu peito. Quebrei duas costelas daquela coisa e espremi seus pulmões com toda a minha força. Ela gritava ao mesmo tempo que tentava conseguir ar para respirar. Meu golpe derradeiro foi em seu coração.

- Agora acabou!

Apertei seu coração com força e o arranquei de seu corpo. Ela ainda tentou falar algo, mas já era tarde. Aquela coisa nunca mais vai perturbar ninguém.

Quando seu corpo parou de se debater, o boneco de palha parou de brilhar. Quando tudo parecia ter voltado ao normal pude ver aqueles corpos. Eram os corpos daqueles que morreram nessa maldição. Sara, Lívia, e todos os outros iriam descansar em paz. O boneco de palha voltou a brilhar, mas em chamas. Ele estava virando cinzas. Finalmente a maldição acabou.

Os corpos foram desaparecendo aos poucos. Um a um els pareciam ser engolidos pela escuridão. Apenas um único vulto permaneceu na sala junto a mim e aquele corpo dilacerado. Era Renata, que veio me buscar.

- Desista. Venha conosco. Seu lugar é aqui.

- Não. Meu lugar é entre os vivos. Quero esquecer tudo o que passou.

- Sua vida nunca mais será a mesma. Você nem sabe se ainda está viva.

- Prefiro arriscar.

Renata veio em minha direção. Me abraçou muito forte, tocou minha mão e se despediu de mim com um sorriso.

- Espero que essa seja a última vez que nos encontremos, Maria.

- Também espero.

O corpo de Irene permaneceu no chão. Sua alma agora vive dentro de mim. Pela última vez viverei a vida de outra alma.

Publicado por: Maria A. C.

FIM.